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22 de março de 2014

Assaltaram café com carrinha e lavaram maquina do tabaco

Um grupo de desconhecidos assaltou na madrugada deste sábado, 22 de março, o café Borda d'Água, situado junto às piscinas de Azinhaga do Ribatejo, concelho da Golegã, e levou a máquina do tabaco, que tinha sido enchida no dia anterior.

O assalto, que ocorreu cerca das 5h30, durou pouco mais de um minuto, o tempo suficiente para os ladrões arrombarem a porta de alumínio e vidro com uma carrinha, entrarem no interior do estabelecimento e carregarem a máquina.

Apesar do alarme ter disparado assim que a porta foi arrombada, os moradores das imediações do estabelecimento comercial apenas viram uma carrinha branca a sair do local a alta velocidade.

Maria da Graça Pedro, esposa do proprietário do café Borda D’Água, que foi avisada do furto cerca de dez minutos depois dele ter ocorrido, explicou à Rede Regional que os assaltantes levaram apenas a máquina de cigarros, propriedade de um revendedor de tabaco, não tendo mexido em mais nada, nem sequer na caixa registadora ou no sistema de jogos da Santa Casa.

Esta foi a segunda vez que o café foi assaltado. No ano passado os ladrões também tentaram roubar a máquina de tabaco mas, na altura, arrombaram a porta com um pé de cabra e não conseguiram levar o equipamento.

A GNR foi chamada ao local e já esteve a recolher provas e indícios, entre eles as gravações do sistema de alarme, que poderão ajudar a identificar os autores do crime.

21 de março de 2014

Escola tem o nome do homem que ajudou a construir a identidade da Azinhaga

No dia em que faria 92 anos, Augusto Souto Barreiros foi oficialmente designado patrono da Escola Básica e Jardim-de-Infância da Azinhaga. Na cerimónia decorrida na manhã de 15 de Março, em que a Casa da Comédia da Golegã e o Rancho Folclórico fizeram apontamentos artísticos em homenagem ao escritor, muitos azinhaguenses andavam com um livro de Souto Barreiros nas mãos.

Parte importante da sua produção literária ficou marcada pelas referências e descrições do dia-a-da da Azinhaga, incluindo escritos antológicos como “Azinhaga, livro de horas”, que estabeleceu em grande medida a visão que hoje se tem do que era a aldeia em décadas recuadas do século XX.

O presidente da Câmara, Rui Medinas, disse que o escritor “preenche na plenitude os requisitos” para a atribuição de nomes a locais, um processo que foi, como depois frisou Lurdes Marques, a directora do Agrupamento de Escolas de Golegã, Azinhaga e Pombalinho, pacífico e muito rápido. A directora enalteceu que “o bairrismo da Azinhaga sente-se” e que “a partir de agora todos temos a tarefa de ir conhecer [a obra de] Souto Barreiros, na escola e em casa”.

A Casa da Comédia disse os poemas “A Feira” e “O Inverno” e à tarde apresentou um excerto do êxito regional “Sol das Lezírias”, peça encenada sobre a obra com o mesmo nome escrita por Souto Barreiros, que foi também um dos fundadores do Rancho Folclórico “Os Campinos”, organizou o grupo cénico onde encenou pela primeira vez algumas das suas peças, impulsionou as “Noites Ribatejanas”, entre outras iniciativas na Azinhaga.

Vítor Guia também falou à população, para evocar o episódio em que José Saramago, na sua visita a Azinhaga, confessou a perda de ligação à terra onde nasceu. Pelo contrário, disse o presidente da Junta, Souto Barreiros, que em determinada altura da sua vida também foi viver para fora (Oeiras), manteve sempre a ligação à sua aldeia: “quando o rancho foi relançado, vinha cá todas as semanas”, lembrou e concluiu: “ajudou a construir a nossa identidade”.

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15 de março de 2014

Augusto do Souto Barreiros

Augusto do Souto Barreiros, de seu nome completo Augusto Manuel Serrão de Faria do Souto Barreiros, nasceu em Azinhaga a 15 de março de 1922 e faleceu na Golegã a 17 de março de 2012. Era descendente de proprietários agrícolas notabilizados na lavoura e no entusiasmo por cavalos e toiros.

Depois de frequentar o Liceu Nacional Sá da Bandeira em Santarém e de se ter apenas matriculado na Faculdade de Letras de Lisboa, viveu intensamente as noites da capital.

Empregado desde 1945 na Federação Nacional dos Produtores de Trigo, que em 1975 passou a designar-se como EPAC, Empresa Pública de Abastecimento de Cereais, os dias corriam-lhe monótonos entre as paredes do escritório, mas nunca esquecendo as raízes ribatejanas que o sustentavam, especialmente a sua aldeia natal, que veio a descrever e glorificar em dezenas de artigos e em palestras e comunicações nos vários congressos da Federação do Folclore Português, onde desempenhou as funções de membro do Conselho Técnico Nacional e presidente do Conselho Técnico do Ribatejo.

Contemporâneo de José Saramago, iniciou-se muito novo na atividade literária, como crítico tauromáquico na “Folha do Sul” de Montemor-o-Novo e no jornal “A Festa”. Foi na poesia e no conto que teve os seus primeiros sucessos nos jogos florais, então na moda, pelos prémios alcançados em todos a que concorreu.

Apaixonado pelo teatro, foi aluno do curso noturno do Conservatório Nacional, o que lhe possibilitou, pelos conhecimentos adquiridos com o professor Carlos de Sousa, escrever as comédias “Amai-vos Uns aos Outros” (peça infantil com mais de 100 representações) “Guardado Está o Bocado”, “Deliciosa Aventura” e “A Sombra”, a revista “Azinhaga” e as operetas ligeiras “Sol das Lezírias” (1948), “A Flor dos Campos” (1950), musicadas por José dos Reis, e ainda “Bodas de Ouro”, cuja estreia aconteceu em 2009, pela mão da Casa da Comédia de Azinhaga, e com música de Dominique Ventura.

Mais tarde, em 1952, pela necessidade do Ribatejo se fazer representar no documentário espanhol “Tejo, Estrada que Anda”, consolidou com José dos Reis o rancho dos Campinos de Azinhaga, contando ainda com o apoio do Instituto Nacional do Trabalho e a colaboração do então presidente da Casa do Povo de Azinhaga, Francisco Castelo. Tendo sido o primeiro agrupamento a atuar na Feira do Ribatejo, foi a mola impulsionadora da criação de ranchos folclóricos por toda a região. É assim convidado por Celestino Graça para ensaiar os Grupos Infantil e Académico de Dança Regional de Santarém e os recém surgidos “Pescadores do Tejo” de Benfica do Ribatejo, do Graínho, em terras do Bairro, e do Vale do Santarém, tendo sempre o cuidado de pesquisar e individualizar o folclore que cada qual representaria das, e nas, suas regiões.

Após a passagem pela tertúlia literária que tinha lugar em casa do escritor José Loureiro Botas, prémio da Academia, publicou os volumes de poesia “Nocturno” (1954), “Canto que Volta ao Silêncio” (1956), “Náufrago Sem Mar Para Morrer” (1959), “Capricho Ribatejano” (1965) e as monografias “Azinhaga - Livro de Horas” (1995) e “Golegã: Capital do Cavalo”, em 2000, sob o patrocínio da Feira Nacional do Cavalo e com fotos de Frederico Almeida Dias, estando ainda representado nas coletâneas “Cancioneiro do Vinho Português” e “Poemabril”.

Em 2008 foi publicado, pela Câmara Municipal da Golegã, o livro de poemas “O Canto da Hora Perfeita”.

Foi sócio da extinta Sociedade Portuguesa de Escritores e, mais recentemente, da Sociedade Portuguesa de Autores. Colaborou em jornais como o “Diário Popular”, “Diário Ilustrado”, “O Século”. “O Comércio do Porto" e “Diário de Notícias”, e nas revistas “Flama” e “Vida Rural”.

Estudou e divulgou temas como “Os Seareiros”, “Os Cagaréus”, “Fainas com o Gado Bravo”, “Danças Tradicionais do Ribatejo” e “Rezas, Tratamentos e Benzeduras”, passando ainda pela tradicional culinária da Azinhaga.

Pela defesa e valorização da arte, dos usos e dos costumes das gentes da Borda d’Água e pela colaboração prestada à Feira do Ribatejo, foi-lhe conferido em 1965, um Diploma de Mérito pelo seu trabalho nesse campo. Na prática e por iguais razões, a Direção da Casa do Ribatejo nomeou-o, em 1992, “Sócio de Honra” atribuindo-lhe, ainda, a Placa de “Ribatejano Ilustre”.

A Câmara Municipal da Golegã atribuiu-lhe em 1997 a Medalha e Diploma de Mérito Municipal e já em 2014, foi proposto pela mesma, ao Ministério da Educação, que o moderno Centro Escolar de Azinhaga tivesse como patrono este distinto Azinhaguense.

As suas obras constam no acervo das mais díspares bibliotecas do Mundo, nomeadamente “Capricho Ribatejano”, que com três edições pode ser encontrado em 14 bibliotecas, uma das quais a da Universidade do Michigan, nos Estados Unidos da América, e “Náufrago Sem Mar Para Morrer”, também com três edições está disponível em bibliotecas como a da Universidade de Cornell, em Nova Iorque.
10 de março de 2014

Cerimónia de atribuição de patrono do Centro Escolar de Azinhaga a Augusto do Souto Barreiros

O Centro Escolar de Azinhaga, que agrupa o 1.º ciclo e o jardim-de-infância, vai assumir o nome de Augusto do Souto Barreiros. O escritor azinhaguense foi autor de poesia, contos e várias peças de teatro, várias das quais já encenadas pela Casa da Comédia da Azinhaga.

A cerimónia de atribuição de patrono do Centro Escolar de Azinhaga a Augusto do Souto Barreiros terá lugar no Centro Escolar de Azinhaga no dia 15 de março de 2014 com inicio às 10h00.

10h00 Sessão Solene
Inauguração do Medalhão de Homenagem a Augusto do Souto Barreiros, 
 
10h30 Apontamento de poesia pela Casa da Comédia, 
Apontamento de dança pelo Rancho dos Campinos de Azinhaga
 
11h00 Abertura da Exposição Fotográfica dedicada ao Patrono
 
16h00 Espetáculo de Folclore "Rancho dos Campinos de Azinhaga"
 
16h30 Encenação de partes do Espetáculo Sol das Lezírias - Casa da Comédia de Azinhaga