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18 de maio de 2012

Maria de Sousa, A Última Avieira

Aos 87 anos, Maria de Sousa olha o Tejo sem saudade nem queixume. Não se pode ter saudade de uma vida mais feita de dificuldades e sofrimento do que de abundância e alegrias. E não temos de nos queixar da sorte que Deus nos deu, ainda mais indo longa a existência e podendo continuar a trabalhar os dias todos da semana.

A bem dizer, o Tejo é o seu mundo, toda a vida viveu nele. E dele. Nem se imagina sem o grande rio. Faz-lhe falta. Não anda bem se lá não for. Pesca quase diariamente. Sozinha. E faz tudo: constrói as redes, remenda-as, mete-se no barco, rema, lança as redes à água e volta lá mais tarde a recolhê-las, traz o peixe para terra e vende-o a um comprador. Como se tivesse metade da idade que tem.

O marido, Manuel Sequeira da Silva, Servo de alcunha, morreu há 17 anos. Foi nessa altura que Maria de Sousa deixou o Mouchão de São Brás, onde viviam desde que casaram, tinha ela 26 anos, ao tempo que isso já foi…

Pouco antes, as duas velhas barracas que lá havia, a sua e a do cunhado, muito degradadas já, tinham-nas retirado e feito outras de novo para o seu lugar. Mas estava escrito que não havia de se gozar da casa nova, bem melhor que a mais antiga, que até tinha chão de soalho. Como diz o povo, quando a pega faz o ninho, morre a pega. E foi o que aconteceu ao seu homem que há muito tinha problemas de saúde. Maria de Sousa arrancou a barraca, que de nada servia lá, e mudou-se para a Azinhaga onde ainda hoje vive.