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15 de março de 2014

Augusto do Souto Barreiros

Augusto do Souto Barreiros, de seu nome completo Augusto Manuel Serrão de Faria do Souto Barreiros, nasceu em Azinhaga a 15 de março de 1922 e faleceu na Golegã a 17 de março de 2012. Era descendente de proprietários agrícolas notabilizados na lavoura e no entusiasmo por cavalos e toiros.

Depois de frequentar o Liceu Nacional Sá da Bandeira em Santarém e de se ter apenas matriculado na Faculdade de Letras de Lisboa, viveu intensamente as noites da capital.

Empregado desde 1945 na Federação Nacional dos Produtores de Trigo, que em 1975 passou a designar-se como EPAC, Empresa Pública de Abastecimento de Cereais, os dias corriam-lhe monótonos entre as paredes do escritório, mas nunca esquecendo as raízes ribatejanas que o sustentavam, especialmente a sua aldeia natal, que veio a descrever e glorificar em dezenas de artigos e em palestras e comunicações nos vários congressos da Federação do Folclore Português, onde desempenhou as funções de membro do Conselho Técnico Nacional e presidente do Conselho Técnico do Ribatejo.

Contemporâneo de José Saramago, iniciou-se muito novo na atividade literária, como crítico tauromáquico na “Folha do Sul” de Montemor-o-Novo e no jornal “A Festa”. Foi na poesia e no conto que teve os seus primeiros sucessos nos jogos florais, então na moda, pelos prémios alcançados em todos a que concorreu.

Apaixonado pelo teatro, foi aluno do curso noturno do Conservatório Nacional, o que lhe possibilitou, pelos conhecimentos adquiridos com o professor Carlos de Sousa, escrever as comédias “Amai-vos Uns aos Outros” (peça infantil com mais de 100 representações) “Guardado Está o Bocado”, “Deliciosa Aventura” e “A Sombra”, a revista “Azinhaga” e as operetas ligeiras “Sol das Lezírias” (1948), “A Flor dos Campos” (1950), musicadas por José dos Reis, e ainda “Bodas de Ouro”, cuja estreia aconteceu em 2009, pela mão da Casa da Comédia de Azinhaga, e com música de Dominique Ventura.

Mais tarde, em 1952, pela necessidade do Ribatejo se fazer representar no documentário espanhol “Tejo, Estrada que Anda”, consolidou com José dos Reis o rancho dos Campinos de Azinhaga, contando ainda com o apoio do Instituto Nacional do Trabalho e a colaboração do então presidente da Casa do Povo de Azinhaga, Francisco Castelo. Tendo sido o primeiro agrupamento a atuar na Feira do Ribatejo, foi a mola impulsionadora da criação de ranchos folclóricos por toda a região. É assim convidado por Celestino Graça para ensaiar os Grupos Infantil e Académico de Dança Regional de Santarém e os recém surgidos “Pescadores do Tejo” de Benfica do Ribatejo, do Graínho, em terras do Bairro, e do Vale do Santarém, tendo sempre o cuidado de pesquisar e individualizar o folclore que cada qual representaria das, e nas, suas regiões.

Após a passagem pela tertúlia literária que tinha lugar em casa do escritor José Loureiro Botas, prémio da Academia, publicou os volumes de poesia “Nocturno” (1954), “Canto que Volta ao Silêncio” (1956), “Náufrago Sem Mar Para Morrer” (1959), “Capricho Ribatejano” (1965) e as monografias “Azinhaga - Livro de Horas” (1995) e “Golegã: Capital do Cavalo”, em 2000, sob o patrocínio da Feira Nacional do Cavalo e com fotos de Frederico Almeida Dias, estando ainda representado nas coletâneas “Cancioneiro do Vinho Português” e “Poemabril”.

Em 2008 foi publicado, pela Câmara Municipal da Golegã, o livro de poemas “O Canto da Hora Perfeita”.

Foi sócio da extinta Sociedade Portuguesa de Escritores e, mais recentemente, da Sociedade Portuguesa de Autores. Colaborou em jornais como o “Diário Popular”, “Diário Ilustrado”, “O Século”. “O Comércio do Porto" e “Diário de Notícias”, e nas revistas “Flama” e “Vida Rural”.

Estudou e divulgou temas como “Os Seareiros”, “Os Cagaréus”, “Fainas com o Gado Bravo”, “Danças Tradicionais do Ribatejo” e “Rezas, Tratamentos e Benzeduras”, passando ainda pela tradicional culinária da Azinhaga.

Pela defesa e valorização da arte, dos usos e dos costumes das gentes da Borda d’Água e pela colaboração prestada à Feira do Ribatejo, foi-lhe conferido em 1965, um Diploma de Mérito pelo seu trabalho nesse campo. Na prática e por iguais razões, a Direção da Casa do Ribatejo nomeou-o, em 1992, “Sócio de Honra” atribuindo-lhe, ainda, a Placa de “Ribatejano Ilustre”.

A Câmara Municipal da Golegã atribuiu-lhe em 1997 a Medalha e Diploma de Mérito Municipal e já em 2014, foi proposto pela mesma, ao Ministério da Educação, que o moderno Centro Escolar de Azinhaga tivesse como patrono este distinto Azinhaguense.

As suas obras constam no acervo das mais díspares bibliotecas do Mundo, nomeadamente “Capricho Ribatejano”, que com três edições pode ser encontrado em 14 bibliotecas, uma das quais a da Universidade do Michigan, nos Estados Unidos da América, e “Náufrago Sem Mar Para Morrer”, também com três edições está disponível em bibliotecas como a da Universidade de Cornell, em Nova Iorque.