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12 de fevereiro de 2013

Sapateiros de Azinhaga, Anos 20

Fotografia tirada a meio dos anos 20, na oficina de sapateiros da Azinhaga.
Em pé de chapéu, José Gonçalves Sénior, dono da oficina. A única criança da foto José Gonçalves Júnior. Da esquerda para a direita o segundo homem sentado Ludgero Gonçalves. Os restantes não temos a informação de quem são.
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Colaboração fotográfica / texto: Ana Peralta Gonçalves Melrinho
11 de fevereiro de 2013

Cozinha Tradicional de Azinhaga

Destruída já na sua arquitectura rural, com a conivência dos edis que só não será maquiavélica porque, enfim, Maquiavel era inteligente, Azinhaga, a velha Azzancha dos árabes é, como se sabe, de remota criação. Teve foral concedido por D. Sancho II. Por oragos, Santa Maria do Almonda e Nossa Senhora da Conceição. Isto pode não ter importância. Pode, mas é nota, como se viu, da sua história. Humilde, mas sua que se deverá conhecer e respeitar. E tanto assim que dela falaram em livros, Frei Luís de Souza, Visconde de Santarém, Camilo Castelo Branco, Conde de Sabugosa, Pinho Leal, Alberto Pimentel, Francisco Câncio, José Serrão de Faria, Matos Sequeira, Simões Muller, Veríssimo Serrão, José Saramago e Luís Chaves, o que afirmou que se “o Ribatejo tem treze modas, sete são de Azinhaga”.

É, repete-se, a freguesia rural mais rica do País. Tejo a dois passos, Almonda a seus pés, está encaixada entre fartos espargais e exuberantes lezírias. E a rodeá-la, como sentinelas, para além da modéstia de vários casais, a grandeza opulenta de dez quintas, algumas das quais famosas. Para a pequenez da aldeia, a raridade de duas, ou mesmo três Igrejas, e o número astronómico de nove, dez Ermidas.

E, como noutro sítio se escreveu, era latifúndio de fartura gorda e de fidalgos de bom sangue como os Serrões, os Figueiredos, os Juzarte, os Saldanhas, os Zarco da Câmara. Até que um pacífico burguês de Castelo Branco, o novo rico Raphael José da Cunha, comprando quase tudo a quase todos, se transformou, por mercê real, no “lavrador do Reino”.

Em oposição a eles, a arraia miúda de trabalhadores rurais, raça de pessoal desorganizado, orgulhoso, indomável, mas, sei lá, com um estranho e misterioso sentido estético da vida: no campesinato, na poesia, na campinagem, na música, na bailação.

E foi a sublimação terrena deste dom, neles e nas suas mulheres, bonitas mulheres, que na época das grandes formes ou no lapso de minguadas abundâncias, os fez, as faz, inventar uma cozinha rica feita de coisas pobres.

Mas prontos: são horas do almoço às dez da manhã, do jantar às duas da tarde ou da ceia às oito da noite. E como os passadios servem a qualquer destas refeições, contemo-los então, começando por aqueles que percorrem a gastronomia do ano inteiro.

SOPA DE FEIJÃO FRADE

Anteriormente remolhado, o feijão vai para uma panela com cebola picada fino, água com um fio de azeite, e claro sal a gosto. Assim que tudo cozido, no fogão a lenha, amassa-se com vigor até se formar um puré espesso. Leva-se outra vez ao lume. Quando ferver, junta-se-lhe arroz, alho, e louro. E, desta simplicidade, evola-se um aroma de estarrecer o apetite.

COUVES COM FEIJÃO

Coze-se bem, muito bem o feijão branco, pondo-lhe duas cebolas inteiras, embora golpeadas fundo, e sal, sempre o sal na medida certa. Da almotolia pintada a vermelho, vaza-se um dedo grosso de azeite que foi maquia que as mulheres receberam dos celamins do rabisco entregues ao mestre lagareiro. Reduzem-se, depois, dois terços do feijão a um puré encorpado. O outro terço é então retirado para uma tijela. Apertadas com força pela mão esquerda, cortam-se, faca afiada, com a direita couves portuguesas, aqui chamadas de todo o ano, de modo a que fiquem em tiras estreitinhas. De certeza que lavadas, vão para a panela onde já se encontra o polme.
Acrescenta-se, também, o terço do feijão inteiro que estava na tijela. Tempera-se a preceito de novo com azeite e sal. Enquanto ferve, mexer com frequência para que nada esturre. Dir-se-ia o ponto final do preparo. Dir-se-ia. Sê-lo-á, porém, relativamente à cozinheira. Para o comedor ainda não. Urge completar a sopa que se deita no prato de esmalte. Esfarela-se, pois, ao sentido de cada um, a broa, sobretudo o miolo, por de riba dela. Quer-se espessa e apurada. Rega-se com novo fio de azeite. Com uma colher de alumínio dão-se-lhe as voltas precisas para que a união de todos os elementos fique homogénea e agradável. E come-se, então, como manjar que deixa o paladar, o olfacto e o estômago santamente consolados.