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29 de maio de 2012

Ator da Casa da Comédia de Azinhaga brilha na Ascensão.

(Fotografia Armando Correia)
Alvaro Galrinho, um dos atores da Casa da Comédia de Azinhaga, brilhou no espetáculo «Teatro em Revista» ao lado de Rita Ribeiro e um grande elenco da Companhia de Teatro do Ribatejo (CTR), num espetáculo encenado por João Coutinho. Fotografia antes de entrar em cena para o momento de abertura, com Claudia Monteiro, num muito aplaudido "sabe-se lá". Um Ator/cantor cada vez mais em Ascensão.
18 de maio de 2012

Maria de Sousa, A Última Avieira

Aos 87 anos, Maria de Sousa olha o Tejo sem saudade nem queixume. Não se pode ter saudade de uma vida mais feita de dificuldades e sofrimento do que de abundância e alegrias. E não temos de nos queixar da sorte que Deus nos deu, ainda mais indo longa a existência e podendo continuar a trabalhar os dias todos da semana.

A bem dizer, o Tejo é o seu mundo, toda a vida viveu nele. E dele. Nem se imagina sem o grande rio. Faz-lhe falta. Não anda bem se lá não for. Pesca quase diariamente. Sozinha. E faz tudo: constrói as redes, remenda-as, mete-se no barco, rema, lança as redes à água e volta lá mais tarde a recolhê-las, traz o peixe para terra e vende-o a um comprador. Como se tivesse metade da idade que tem.

O marido, Manuel Sequeira da Silva, Servo de alcunha, morreu há 17 anos. Foi nessa altura que Maria de Sousa deixou o Mouchão de São Brás, onde viviam desde que casaram, tinha ela 26 anos, ao tempo que isso já foi…

Pouco antes, as duas velhas barracas que lá havia, a sua e a do cunhado, muito degradadas já, tinham-nas retirado e feito outras de novo para o seu lugar. Mas estava escrito que não havia de se gozar da casa nova, bem melhor que a mais antiga, que até tinha chão de soalho. Como diz o povo, quando a pega faz o ninho, morre a pega. E foi o que aconteceu ao seu homem que há muito tinha problemas de saúde. Maria de Sousa arrancou a barraca, que de nada servia lá, e mudou-se para a Azinhaga onde ainda hoje vive.

17 de maio de 2012

Avieiros de Azinhaga

Voltamos a publicar o documento Avieiros de Azinhaga, agora atualizado com novas informações.

Nómadas do Rio, como os ciganos em terra, tinham vindo da Praia da Vieira e faziam vida à parte: chamavam-lhes avieiros. Nunca ouvira falar de semelhante gente.
Alves Redol, Avieiros, 1967

Tributo aos Avieiros de Azinhaga 

"Mais do que uma realidade que existiu, interessa hoje preitear quem e o que dele resta: os descendentes dos avieiros, que já trocaram as palafitas por casas e para quem a agricultura e outros meios de vida, se substituíram ao Almonda e ao Tejo, que lhes foram única fonte de sustente. Mas, sobretudo, ao Município da Golegã interessa homenagear os seus bisavós, avós e país, que subiram o rio na procura da subsistência que o mar da Vieira de Leira, revolto e pouco generoso no inverno, insistia em lhes negar, levando-os assim a substituir a arte xávega da sardinha pela arte varina do sável.
Os Fernandes (Lobo), os Narciso e os Petinga (Jaqueta), humildes, trabalhadores e discretos, migraram para a Azinhaga, na primeira metade do séc. XX, formando uma comunidade de caraterísticas muito próprias, expressão de uma cultura e de uma tradição, sedimentadas ao longo de gerações, que sobreviveu na borda d´água ribatejana, entre mouchões, chaboucos, salgueiros, freixos, chorões e choupos, olhando ao longe a charneca e o bairro.
As “bateiras” os seus “vertedoiros” e “fateixas”, as “rabeiras”, o “saimão”, o “calão”, o “sabogalho” e a “narsa” esvanecem-se, mais a recordação daqueles que os utilizaram no dia-a-dia, numa faina dura e agreste, queremos que perdure no tempo e na memória dos homens, honrando assim esta digna gente, que contribuiu para a atual identidade da freguesia de Azinhaga e do nosso Concelho.”
José Veiga Maltez
Presidente da Câmara Municipal da Golegã
Responsável pelo Pelouro da Cultura
In Monumento de Homenagem aos Avieiros de Azinhaga
26 de Maio de 2007

Maria e Elisa de Sousa Fernandes (Lobo), regressando da venda. Se junto ao Atlântico, na Vieira de Leiria, eram os compradores que se dirigiam ás lotas improvisadas na praia, na Azinhaga, enfim, na lezíria ribatejana, era a avieira que tinha de transportar o peixe para os mercados da região, ou mesmo na venda porta a porta, garantindo que a pesca não se fizera em vão.

O vestuário dos avieiros, respresentava uma memória da vida na praia da Vieira. De pequeno chapéu preto redondo, donde pende o lenço, blusa de manga com padrão ramagens coloridas, mais ao menos engalanada de fitas rendinha e outros enfeites e o avental. Palmira Toito e Maria de Sousa Fernandes (Lobo).
14 de maio de 2012

Rancho dos Campinos de Azinhaga

Em Dezembro de 1951, representantes da Junta da Província do Ribatejo e do instituto Nacional do Trabalho, de Santarém, contactaram, em Lisboa, A.S.B. para organizar, em Azinhaga, um conjunto de folclore que representasse o Ribatejo no documentário "Tejo, Estrada que Anda" que a "NODO", de Espanha, rodava a partir da nascente, na serra de Albarracim, até à sua foz.
 
A Província possuía um valioso património artístico e monumental, uma vida agrícola fértil e próspera, uma etnografia em fase de extinção, mas, mesmo assim, farta.
 
Perdera, no entanto, a singularidade ímpar do seu folclore que se limitava, de longe em longe, a um outro pobre e infeliz apontamento.

Por tudo isto, foi o convite dirigido às gentes de Azinhaga, por aquelas entidades, ainda recordadas quão honradamente haviam representado o Ribatejo, em 1938, no "Concurso da Aldeia Mais Portuguesa de Portugal".

Para o que fora proposto, A.S.B. contactou Francisco Castelo, então presidente da Casa do Povo local, no sentido do Organismo se associar na formação do grupo, o que desde logo, foi aceite com entusiasmo.

Como as filmagens estivessem para breve, levou-se todo o mês de Janeiro de 1952 em recolhas possíveis, e em ensaios constantes, aos quais deu a sua preciosa colaboração mestre Francisco Valério que, apesar da sua idade, continuava a ser um extraordinário bailador.

Em meados de Fevereiro seguinte, a equipa cinematográfica espanhola, chefiada pelo realizador Juan Manuel-de la Chica Pallin, vem a Azinhaga para filmar a atuação do conjunto, que não rancho por razões óbvias para quem sabe um poucachinho de folclore.

Locais escolhidos na freguesia, acontece que, viajando de Santarém, encontraram a alverca de Fernão Leite, no Pombalinho, que, à época, era um lindura, com as suas águas mansas, a sua lezíria, as suas árvores frondosas, a sua velha ponte de madeira com guardas de bonito ferro forjado. (E porque não recuperá-la?). Encantados, escolheram-na para cenário das filmagens. Só que o pessoal do grupo, dando voz ao seu bairrismo costumado, negou deslocar-se. Que sítios com interesse também havia na sua freguesia... Enfim, as discussões habituais que não conduzem a lado nenhum. Até que os espanhóis, olhando a ruralidade típica da aldeia, valiosa para ótimas imagens, repentistas propuseram: se as pessoas aceitassem ir, naquele dia, dançar à Alverca de Fernão Leite, eles, espanhóis, garantiram vir propositadamente filmar o conjunto, no enquadramento singular da sua terra.