Pesquisa

TV Azinhaga

Seguidores

Visitas

PageRank

Siga-nos por email

Digite seu endereço de e-mail:

Blog Archive

Sites Amigos

29 de outubro de 2011

José Saramago, Carta para Josefa minha Avó

José Saramago
(Portugal, 1922)

Carta para Josefa minha avó

Tens noventa anos. És velha, dolorida. Dizes-me que foste, a mais bela rapariga do teu tempo – e eu acredito. Não sabes ler. Tens as mãos grossas, deformadas, os pés encortiçados.
Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água.
Viste nascer o sol todos os dias. De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal. Criaste pessoas e gado, meteste os bácoros na tua própria cama quando o frio começava a gelá-los. Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, velhas questões de família, um crime de morte. Trave da tua cama, lume da tua lareira, - sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz.
Não sabes nada do mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de filosofia, nem de religião.